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Catharose de Petri – mensageira do cristianismo gnóstico

O encontro com os irmãos Leene

De início, ela não gostou nem um pouco da ideia de se juntar a essa comunidade, mesmo sabendo que seu marido já havia sido um membro. Ela dizia que grupos organizados como esse inevitavelmente desenvolveriam erros e complicações – e ela tinha profunda aversão a isso. Em sua opinião, tornar-se membro iria apenas criar um obstáculo para o equilíbrio interior e a quietude ideal para a concentração, exigências básicas para alguém seguir o caminho espiritual. No entanto, como seu marido quisesse muito, ela concordou em fazer uma entrevista com os irmãos Jan e Zwier Willem (Wim) Leene. Os dois irmãos tinham entrado para a Rozekruisers Genootschap em 1924 e logo alcançaram uma posição de liderança na organização.

Nessa entrevista, ela sensibilizou-se tanto com a aparência modesta, porém cheia de força de Jan Leene, que mudou de ideia e, em 1930, entrou para o círculo idealista de amigos que vivia à volta dos irmãos Leene. Finalmente, ela se persuadiu quando Wim Leene simplesmente lhe disse: “Quando unimos nossos corações, nossa centelha se acende com muito mais força!”

Com os irmãos Leene, começou intensa busca espiritual que fez os três tomar a decisão de seguir seu caminho com seu próprio grupo, separado da Rozekruisers Genootschap. Depois da morte de Wim Leene, em 9 de março de 1938, Hendrikje Stok-Huizer foi agraciada com um cargo de direção na comunidade, que ficou assim composta: Jan Leene, Hendrikje Stok-Huizer, H. J. Stok (seu marido), e A. M. Verhoog.

Os nomes dos grão-mestres

Em 1956, ela assumiu seu nome espiritual: Catharose de Petri. Nessa época, seu papel na comunidade mudou completamente. Esse nome lhe foi dado em circustâncias muito especiais por Antonin Gadal – o patricarca da Fraternidade dos Cátaros no sul da França. A partir de então, ela usou esse nome em público – “não porque soasse melhor, mas porque queria devotar a vida à missão de servir à humanidade”, assim explicou.

Jan Leene já havia adotado seu nome espiritual – Jan van Rijckenborgh – em 1940. Ambos estavam conectados mentalmente com a Fraternidade que os inspirara e, como grão-mestres, desenvolveram uma visão clara da Escola Espiritual da Rosacruz. Somente unidos seriam capazes de levar o trabalho a um bom fim. Sua ação conjunta prova que, no Lectorium Rosicrucianum, homens e mulheres trabalham juntos em absoluta igualdade.

A estrutura interna de trabalho do Lectorium Rosicrucianum

Catharose de Petri permitiu a Jan van Rijckenborgh realizar esse trabalho desde o início. Cuidou para ele ter um ambiente adequado, tanto espiritualmente quanto em termos práticos. Depois disso, cumpriu a própria tarefa, que vivenciara tão clara e intuitivamente em 1930. Como líder espiritual, trabalhou, primeiro, no interior da organização. Com sensibilidade profundamente enraizada no cristianismo gnóstico e conhecimento do puro trabalho gnóstico a serviço da humanidade, também cuidou dos aspectos espirituais e da aparência exterior dos templos rosa-cruzes. Ela inspirava os alunos a seguir um estilo de vida que deveria alcançar o mais elevado nível.

Após a morte de Jan van Rijckenborgh, em 1968, Catharose de Petri preservou e desenvolveu o trabalho espiritual da Escola e mais tarde reforçou o trabalho da comunidade a serviço do ser humano. Ao mesmo tempo, preservou a herança literária de Jan van Rijckenborgh e trabalhou como autora de vários livros. Nessa época, a Escola Rosacruz passou por uma fase crítica. Contudo, graças a seu foco bastante claro, o coração espiritual da Escola continuou batendo e cumprindo sua pura tarefa gnóstica.

Ficou claro, no início desse novo período, que uma escola espiritual é um instrumento para a libertação de almas e, como tal, não poderia ser dirigida por uma única pessoa. Por isso, em 1970, Catharose de Petri colocou a liderança da Escola nas mãos de uma direção composta por um colegiado de vários membros: a Direção Espiritual Internacional. Como grã-mestra, sustentou essa liderança com sabedoria e prudência, onde precisassem dela, até sua morte, em 1990. Junto com os membros da Direção Espiritual Internacional, garantiu uma estrutura viva para a força espiritual autônoma ativa na Escola Internacional da Rosacruz Áurea.

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