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O companheiro silencioso

A mensagem da eternidade está muito próxima do coração de cada um. Tão próxima que muitas vezes nem é percebida. No coração humano habita um companheiro silencioso esperando para nos ajudar a buscar essa mensagem. Mas temos de confiar nele. Leiam abaixo o relato de uma experiência muito pessoal.

Ele sempre esteve comigo. Não me lembro de quando tudo começou. Na minha lembrança, esse companheiro silencioso tem sido uma parte de mim mesmo. Eu nunca o havia sentido antes como parte separada de mim mesmo. Foi só aos 19 anos que compreendi que ele não era meu e que poderia me deixar.

Perdido e esquecido

Imerso no ritmo intenso do trabalho superficial, sem pensar no significado das coisas que eu ia encontrando, nem percebi seu desaparecimento. Foi só quando um amigo com o qual eu costumava discutir Filosofia me escreveu uma carta na qual queria me falar mais sobre Hermann Hesse – nosso autor favorito na época – que percebi que meu companheiro interior, para quem as palavras de Hesse tinham significado, tinha ido embora. Muito embora eu compreendesse o que meu amigo dizia, suas palavras não encontravam nenhuma resposta dentro de mim. De repente, eu estava morto interiormente!

Tive medo. Pela primeira vez em minha vida senti o coração sem vida. Clamei por meu companheiro – e percebi: ele ainda não havia ido embora! Mas eu já o havia esquecido, por muitas e muitas semanas. Ele estava mudo porque eu não o havia procurado para conversar.

Então desejei nunca mais abandoná-lo.

Aceitando o companheiro

Desde então, tenho tido sempre em sua companhia. Não é sempre que gosto dele, já que às vezes ele me balança e desperta um espécie de ansiedade em meu peito. Também não é sempre que o reconheço. Em muitas passagens da minha vida ele tentou me mostrar algo que eu não compreendi – e ele sempre me deu uma segunda chance. Em determinado momento, ele se tornou meu amigo. Eu o aceitei como meu companheiro silencioso: alguém que está sempre comigo, que nunca me abandona e que me conhece melhor do que eu mesmo.

Ele tem me conduzido através de seu impulso, e ainda assim frequentemente tenho resistido por achar que sei melhor para onde aponta a bússula da minha vida. Levou muito tempo para que eu aprendesse: conforme eu me retiro, ele vai crescendo e respirando, na mesma proporção. Quanto mais ele respira e cresce, maior é a parte que posso enxergar de mim mesmo e posso passar a reagir de forma diferente e de um modo antes desconhecido para mim. É que meu companheiro me faz compreender as pessoas de um modo diferente daquele que eu faria sem ele. Ele me dá paciência, humildade e, muitas vezes, paz interior. Ele me transforma!

A agulha da bússola aponta para casa

Aquela ansiedade se dissolveu desde que ele se instalou no meu coração. Ele despertou em mim uma nova satisfação com a vida, como eu nunca havia sentido antes. Não é que tudo em mim esteja em paz. Mas é porque a agulha da minha bússola de vida não fica mais girando em círculos. Com a meu companheiro, a vida ganhou rumo simples, claro, inegável. A agulha da bússola aponta para o Lar – o Lar dele! Era nessa direção que meu companheiro insistia comigo desde o princípio. Ele existe numa dimensão à qual eu não pertenço. É uma eternidade à qual eu não tenho acesso.

Mas para chegar lá, meu companheiro precisa de mim! Ele precisa da minha decisão para mudar a minha vida e a mim mesmo. A agulha de minha bússola precisa apontar na direção dele – senão ele vai desaparecer de novo. É que ele precisa do influxo do amor de Deus para pode crescer e florescer. E quanto mais eu sigo a voz do meu companheiro, quanto mais eu ajo de um jeito que ele gosta, mais intensamente flui a força de amor.

É assim que eu o levo sempre e cada vez mais para essa Fonte de Luz. Claro, eu tiro um tempo para fazer isso. E meu companheiro silencioso me transforma: lentamente, muito lentamente.

Um toque de eternidade

É um alívio libertar-se do próprio ego pedacinho por pedacinho! Algumas vezes, sinto uma sensação de eternidade em meu próprio sistema. Tem hora que o céu se abre um pouco e, de repente, sinto um contexto maior iluminar a minha mente. Essa sensação não dura muito, nem pode ser mantida, mas deixa uma impressão clara e precisa na minha mente. Essa memória é muito útil durante a luta da vida diária, quando a agulha da bússola corre perigo de perder seu rumo.

Meu companheiro silencioso abriu para mim um mundo que quase não consigo perceber conscientemente, mas sei que, interiormente, trata-se de meu verdadeiro Lar. Afinal, é para lá que ele irá, pois se trata de seu verdadeiro Lar. Ele não vai me abandonar. Ele vai levar com ele uma parte de mim – aquela parte que ele transformou!

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