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O que é o Lectorium Rosicrucianum?

O Lectorium Rosicrucianum (ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea) é uma organização que nasceu na Holanda em 1924. Seus fundadores foram os irmãos Zwier Willem Leene (1892-1938) e Jan van Leene (1896-1968), que mais tarde adotou o pseudônimo de Jan van Rijckenborgh. Em 1930, uniu-se a eles a senhora Henriette Stok Huyser (1902-1990), conhecida como Catharose de Petri. Da Holanda, essa escola se expandiu para muitos países: hoje, tem atividades regulares na Europa, América do Sul (inclusive no Brasil), América do Norte, África, Austrália e Nova Zelândia. Essa escola procura perpetuar a tradição gnóstica que considera ser a base das principais correntes espirituais que marcaram a história da humanidade. Os últimos elos dessas correntes espirituais foram a Fraternidade dos Cátaros, que atuou na Idade Média, e os rosacruzes do século XVII.



Qual é o ensinamento central do Lectorium Rosicrucianum?

O ensinamento central é a realidade de dois campos de existência completamente distintos. Há um mundo natural e uma realidade supranatural. O mundo natural – ou “dialética” – contém duas partes: o aquém, onde nós existimos, e o além, que é o reino dos mortos. A realidade supranatural é o mundo divino.

O homem encerra em si mesmo essas duas realidades de vida. Por um lado, é um ser completamente material, unido às leis naturais e formado de materiais desse mundo; por outro lado, possui uma filiação divina, um "átomo-centelha-do-espírito" ou "rosa-do-coração". Essa dualidade traz ao ser humano uma inquietação interior, uma impressão de carência, de falta de plenitude, porque a rosa do coração não está completamente ativa na maioria dos homens, mas se encontra como num estado latente. Essa inquietude leva o homem a uma busca incessante por aquilo de que sente falta.

Assim, todos os esforços da Escola da Rosacruz Áurea têm como objetivo despertar em seus alunos a “rosa do coração” – esse átomo original que restou do ser humano verdadeiro. Para tanto, o ser humano natural inicia um processo para que a "rosa" desperte para uma vida completamente nova. Essa “rosa”, esse átomo original, inicia seu desenvolvimento na "cruz" – ou seja, a partir da personalidade natural, material. Segundo essa filosofia é essa condição que torna o ser humano um rosacruz.



Como é possível contactar o Lectorium Rosicrucianum (Escola Internacional da Rosacruz Áurea)?

O primeiro contato com a Escola Internacional da Rosacruz Áurea se dá através da presença a nossas atividades públicas, preferencialmente (verifique quais são em http://www.rosacruzaurea.org.br/atividades (external link) ). Em http://www.rosacruzaurea.org.br/calendario (external link), será possível verificar os locais onde tais eventos ocorrem.

Durante tais atividades, um primeiro módulo de 5 textos introdutórios (que denominados "cartas") pode ser retirado no local. Se essas informações iniciais suscitarem um interesse mais profundo, poderá então ser solicitada a participação em um curso básico. Esse curso deve ser, se possível, presencial, e em conjunto com um grupo de interessados, e dá uma visão abrangente da proposta da Escola da Rosacruz Áurea, possibilitando que se oriente a pesquisa a partir daí.

Caso o interessado resida em cidade afastada de um dos locais onde há atividades públicas, os cursos poderão ser solicitados pelo correio ou pela Internet e as dúvidas podem ser respondidas via email.



Por que há diferentes grupos rosacruzes? Qual é a ligação entre eles?

A primeira vez que o nome "rosacruz" apareceu para a História foi no século XVII, quando três textos anônimos foram lançados na Europa. Referimo-nos aqui aos manifestos rosacruzes: Fama fraternitatis R.C. (O Chamado da Fraternidade da Rosa-Cruz); Confessio fraternitatis R.C. (Confissão, ou Testamento, da Fraternidade da Rosa-Cruz) e As Núpcias químicas de Cristiano Rosacruz ano 1459.

Esses textos causaram uma grande comoção em toda a Europa. Logo após terem sido lançados, uma série de outros textos, livros e panfletos surgiram como resposta, alguns defendendo, outros atacando os textos originais. A influência desses textos foi tão grande que a historiadora Frances Yates denominou esse período do século XVII de "Iluminismo Rosacruz".

Na época, pouquíssimas pessoas sabiam ao certo quem eram os autores desses textos. Pesquisas históricas nos anos 1980 e 1990 comprovaram que os autores principais desses textos eram três amigos, ligados à Universidade de Tübingen: Tobias Hess, Christolph Besold e Johann Valentin Andreae. O chamado espiritual emitido por esses rosacruzes naquela época foi tão poderoso, que muitos procuraram responder a esse chamado.

No século XX também surgiram muitas organizações com este nome, algumas ainda ativas. A única relação entre a maioria desses grupos é serem todos inspirados pelos manifestos rosacruzes do século XVII.



Qual é a ligação do Lectorium Rosicrucianum com o catarismo?

O catarismo, como existiu originalmente entre os séculos XII, XIII e XIV, não existe mais. Em 16 de março de 1244, os dirigentes espirituais, a alta hierarquia cátara, capitularam em Montségur, um castelo fortificado no alto de um monte. Nesse dia, mais de 200 cátaros desceram, de mãos dadas e cantando, rumo à fogueira já preparada aos pés do Montségur. Uma lenda conta que um trovador, ao presenciar a fogueira de Montségur, teria dito: “Após 700 anos, o loureiro reverdescerá”.

O catarismo continuou por mais 80 a 100 anos, de forma clandestina, perseguido pela Inquisição e pelo Estado - e por fim desapareceu para a História exterior. A maioria de seus vestígios foi apagada. No entanto, a chama espiritual foi mantida acesa através dos séculos por um grupo de homens solitários, com uma consciência muito especial de sua missão.

Antonin Gadal foi um desses homens. Ele nasceu em 1877 na cidade de Tarascon-sur-Ariège, no sul da França, numa casa próxima à do historiador Adolphe Garrigou (1802-1897). Garrigou lhe contou toda a história do catarismo, que estava diretamente ligada à sua própria terra natal. Juntos, eles visitavam com freqüência as grutas e as ruínas da região. Mais do que um conhecimento meramente histórico, Garrigou transmitiu a Gadal o legado espiritual cátaro, que um dia ele também teria que transmitir a outras pessoas.

Gadal era o guardião dos santuários cátaros e sabia que era o último patriarca. Ele esperava encontrar novos líderes espirituais a quem pudesse transmitir a chama. Em 16 de março de 1944, ele subiu com sete pessoas a Montségur, com uma muda de loureiro, num ato simbólico, para marcar o aniversário dos 700 anos da queda de Montségur.

Nos anos 1950, deu-se o encontro entre Gadal e os fundadores da Escola Internacional da Rosacruz Áurea, Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri. Numa cerimônia realizada no dia 5 de maio de 1957, o movimento espiritual moderno dos rosacruzes ligou-se ao dos cátaros e a herança espiritual cátara foi novamente transmitida. Quando Gadal faleceu em 1962 sua obra estava indissoluvelmente ligada a essa escola.

Portanto, apesar de não existir atualmente uma Igreja Cátara nos moldes que havia na Idade Média, a Escola da Rosacruz Áurea considera-se continuadora do trabalho dos cátaros. Ou melhor: considera-se parte de um conjunto de fraternidades que atuaram ao longo dos séculos a serviço da libertação da humanidade. Esse conjunto de fraternidades inclui, além dos cátaros, os essênios, os cristãos gnósticos, os maniqueus, os rosacruzes do século XVII e muitos outros.